Este blog tem como objetivo mostrar obras, poemas, vídeos, músicas, fotos, analisar e identificar as figuras de linguagem presentes nos poemas. Iremos falar de um dos maiores autores da Literatura Portuguesa Luís Vaz de Camões. O blog pertence à turma de Letras do 3° semestre, grupo formado por: Anderson Henrique R.A: A813ED-9, Bárbara Stoian R.A: B036IA-0, Maria Albuquerque R.A: A8305F-0, Rafael Tavares R.A: A835FA-5, Thaiany Melo: R.A: A772EE-9.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minh’ alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semidéia
que, como um acidente em seu sujeito,
assi com a alma minha se conforma,
Está no pensamento como idéia:
o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples, busca a forma.
Este soneto tem sido investigado por todos os estudiosos das concepções filosóficas de Camões, e é em geral considerado como uma confissão de platonismo. A densidade ideológica desafia a condensação de qualquer perífrase. O que Camões nos diz é que, à força de pensar na amada, acaba por fazer parte dela mesma. Não pode, portanto, querê-la, pois, ela já está dentro de si. As duas almas são uma. Que pode, pois, o corpo desejar? Mas, dessa identidade, passa imediatamente à teoria aristotélica de essência e acidente. A essência de Aristóteles é a matéria; mas a matéria é categoria anterior à realidade que, só pela inteligência ou pela passagem do virtual ao real (o acidente), se concretiza e realiza. Assim é a situação do Poeta: ideai pura, tão pura como a matéria simples, mas que busca o acidente que a realize, acidente que é, obviamente, a posse da amada.
O soneto documenta – tudo o indica – conhecimento de noções de filosofia aristotélica, que em todo o caso são utilizados pelo Poeta não especulativamente, mas como uma linguagem para traduzir humanissímos apetites. Quanto a forma e a métrica, este é um tradicional soneto (dois quartetos de dois tercetos), e portanto seus versos são todos decassílabos (dez sílabas poéticas). É notável o uso de rimas interpoladas.
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Obra prima!
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